Dicas de quem já concluiu o mestrado

23dez09

Sem querer ser o dono da verdade nem um oráculo para não-iluminados, queria postar aqui algumas observações feitas ao longo do mestrado, fruto de muitas conversas informais com mestres e doutores do PPDESDI, além de impressões pessoais sobre problemas ocorridos num curso de posgraduacao recente, em fase de aperfeiçoamento.

Coloque prioridades. Pagar as contas é importante, mas não deixe os projetos atrasarem seu estudo. Se você optou por fazer o mestrado, optou por reservar parte de seu tempo diário (ou semanal) para se dedicar ao estudo, portanto não caia na armadilha de “depois eu compenso o tempo perdido” ou “vou poder conciliar tudo às custas de algumas horas a memos de sono ou lazer”, Se cair na armadilha acima, (ninguém é perfeito):

Tenha um plano B, como tudo na vida. Plano B pode ser mudar o rumo do trabalho, simplifcando ou mudando o tema para poder concluir o trabalho no prazo (na minha turma ocorreu isso pelo menos com dois colegas, com resultados positivos). Se ficou chateado com essa possibilidade lembre-se de que

O objetivo é mais importate do que os meios. Mais importante do que fazer a pós-graduação dos sonhos ou confirmar suas convicções é ter uma carreira acadêmica além da carreira profissional ou estar aberto a oportunidades de trabalho melhores após a defesa. Até porque hoje em dia qualquer cursinho está virando faculdade, o que demonstra que estudar é cada vez mais importante.

Evite:
Pernsar que a “tese/dissertação é minha”. Ela é um trabalho coletivo: tem participação do(s) orientador(es), da banca de qualificação e avaliação, das pessoas que colaboraram com informações (autores que consultou, pessoas que entrevistou), etc. Mesmo que discorde, coloque em prática as orientações que receber, tanto para acrescentar quanto para retirar.

Comportamento de estudante secundarista.Você está na pós-graduação, não na graduação, onde a maioria dos alunos – até pela pouca idade – agem como se curso superior fosse extensão do nível médio. A responsabilidade de aprender é sua, as matérias são um apoio ao seu aprendizado, que é orientado e não dirigido como no segundo grau. Se não curtiu o professor ou a matéria em que se inscreveu, exponha abertamente às partes envolvidas (docente, secretaria) e se inscreva em outra matéria.

Procure:
Matérias relacionadas a sua proposta
mas inclua uma ou outra fora do escopo; mas busque trazer todas as matérias para seu trabalho. Minha proposta era sobre internet, fiz matéria sobre análise da informação e trouxe esta matéria para meu tema ao analisar a imagem na internet.

Fazer “pontes do conhecimento” como Bruno Corrêa fez, ao aproveitar trabalhos de uma matéria na outra (entrevistas com questionários de uma matéria foram utilizadas para embasar conclusões de outra matéria, sobre inovação tecnológica) também é útil, pois essas matérias obrigatórias podem ser utilizadas no seu trabalho de conclusão. Eu mesmo utilizei trabalhos de Bruno para fundamentar a minha dissertação, já que os nossos temas eram muito semelhantes.

Se aperfeiçoar no que não é bom. Designer normalmente não tem muita habilidade com redação de texto, que dirá texto acadêmico. Aproveite as matérias obrigatórias para exercitar essa arte: vá formatando desde já seus textos nos padrões da UERJ e do PPDESDI para não ter de aprender no final do curso como se faz a bibliografia, tabelas, listas de figuras/tabelas/quadros (aliás, “quadro” num formato se chama “gráfico” no outro).

Lembre-se que o orientador não vai escrever por você nem escrever com você. Se tem dificuldades de escrever sozinho(a), ou precisa de alguém que defina para você o início, meio e fim de cada capítulo, lembre-se de que as regras se inverteram do segundo grau para cá. Conte com escrita a quatro mãos se o orientador tiver disponibilidade para tal, normalmente na hora de enviar um artigo para um congresso ou publicação. Fora isso, do it yourself, faça você mesmo(a).

Peça para outros lerem seus textos, vá eliminando seus vícios de linguagem – todos nós temos – durante as matérias obrigatórias.

Siga os caminhos de quem se saiu bem: o trabalho de Paula Sobrino foi muito elogiado pela redação fácil e prazerosa de se ler. Use-a como exemplo para redigir a sua. Ela contou com dois orientadores, assim como eu, isso pode ser útil em teses complexas. As apresentações podem e devem refletir o seu tema – Raphael Argento fez sua apresentação sobre infografia televisiva através de infográficos animados em 3D. Eu mesmo fiz um simulador de minha proposta em Flash, para poder exibi-la independente da infra a minha volta. Filipe Chagas foi apresentar seu artigo num congresso na Argentina, isso conta no currículo acadêmico. Os nossos orientadores sugerem fazer o doutorado no exterior, pois isso também conta pontos quando for professor universitário.

Enfim, todos os exemplos a nossa volta, bons ou ruins, ensinam alguma coisa. Quem quiser acrescentar algo, esteja à vontade.

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One Response to “Dicas de quem já concluiu o mestrado”

  1. Excelentes dicas: práticas, sem enrolação e que realmente colocam as devidas responsabilidades de nós mestrandos de forma clara.

    Valeu… Bom Natal!


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