Defesa Mobiliário Brasileiro

23out08

Enfim uma defesa na área de Projetos de Produtos, de Alexandre de Barros Teixeira, com o tema “Mobiliário brasileiro de exportação: um estudo da competitividade da indústria com foco em São Bento do Sul, SC”, ocorrida em 21/10/2008 das 10h ás 12h.

Na banca, Lucy Niemeyer (PPDESDI), Wandyr Hagge (orientador, Graduação da ESDI) e Cid Manso de Mello Vianna (UFRJ).

A dissertação com enfoque na economia – tema, entre outros, normalmente negligenciado pelos designers, sendo que Sydney Freitas em sua tese de doutorado discorre sobre alguns destes porquês –  foi dividida em 3 partes: apresentação do cenário econômico brasileiro e mundial na áre de mobiliário nas últimas décadas, metodologia de análise  e conclusões sobre a pesquisa.

Em um resumo muito sucinto, Alexandre demonstrou que o cenário econômico tem raízes nas mudanças sociais (sejam elas culturais, políticas,  financeiras ou tecnológicas) e apenas estando antenado com essas mudanças se pode compreender o rumo da economia e realizar as mudanças necessárias para se manter competitivo no mercado. No caso do mobiliário do sul-brasileiro, a mudança dos padrões de consumo do Brasil e do mundo levou a um desinteresse pelo consumo de móveis coloniais, que por décadas imperou no Brasil.
Uma solução passou a ser a exportação para mercados que consumissem esse tipo de design, mas não necessariamente a única – olhar a demanda do mercado nacional pode ser uma alternativa. Isso não é feito, pois a pesquisa de marketing é feita pelas agências exportadoras que monopolizam a intermediação entre indústria e consumidor. Uma explicação para esse status quo é a famosa frase “time que está ganhando não se mexe”, se a indústria está faturando não importa para ela questionar as causas desse fato (!).
Alexandre coloca que agir assim é terceirizar o próprio futuro (se as agências começarem a criar um cartel e ditar os preços dos produtos a indústria levará muito tempo para se readaptar a realidade nova).
Como lembra a teoria da vantagem competitiva de Michael Porter, considerando os conceitos de que, são as empresas e não as nações que competem no comércio internacional, assim sendo delegar aos governos ou terceirizadores o seu futuro é algo no mínimo perigoso.

Alexandre, designer de móveis, foi in loco às empresas sul-brasileiras colher depoimentos que justificassem a sua tese, potuando sua análise com diversos cases que ilustram suas proposições. Por exemplo, a indúsria brasileira não investe em design pois há problemas estruturais muito maiores para serem resolvidos antes, portanto é mais corerente investir em processos de produção, para atender a uma demanda “importada”. Somente quando esses problemas forem superados a indústria nacional poderá investir em design, efetivamente.

Enfim, foi uma ótima tese, que outras na área de produto venham engrandecer o mestrado da ESDI. Fica a lamentar que Mestre Wandyr não faz mais parte do corpo de docentes do PPDESDI, pois está seguindo carreira internacional na área de gerência em educação. Uma pena para os alunos, mas como a vida é feita de escolhas, desejamos sucesso ao mestre Wandyr e que seu substituto tenha o mesmo brilho e bom humor na condução da mesma  matéria (Gerência de projetos).



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