Metaprojeto
Esse seminário organizado pelo PPDESDI ja assinala diversas mudancas que qualificam o mestrado, a comecar pela infra-estrutura: a palestra ocorreu nas dependencias da posgraduacao, numa sala com projetor de teto, e-board (quadro eletronico) e registro audiovisual (video digital).
O palestrante, Dijon De Moraes (PhD em 2003, Milao, Italia) trouxe um tema novo, o Metaprojeto (MP) – ou design do design como ele mesmo prefere chamar – o que remete a duas outras palestras: uma de mestre Saboya, de 2007, sobre metodologias de segunda geração e outra, de Metaconhecimento, do colega de mestrado Ricardo Cunha.
Dijon cita Umberto Ecco que fala da atual incapacidade do designer e se comunicar, com exemplos simples como o controle remoto, elevador ou uma torneira. Quem ja nao ficou indeciso sobre a complexidade de uso destes artefatos “modernos”? Pegando carona nesse fato, Dijon discorre sobre as metodologias tradicionais, lineares e previsiveis, e a metodologia atual, transversal e imprevisivel da nossa sociedade atual no que ele define como “segunda modernidade”.
O MP seria uma disciplina que surge com as mudancas sociais da decada de 1990, com a globalizacao do conhecimento. Ele explora possibilidades, cria cenarios, mas nao da “receitas de bolo” pois seu objetivo e levar a uma reflexao do projeto antes de seu inicio, criando uma cultura projetual. Por exemplo, ao ser contratado para fazer uma embalagem de produto, o MP coloca como questao “e necessario fazer uma embalagem para esse produto? O produto em si ja nao pode ser embalagem dele mesmo?” Dijon ilustra seu ponto de vista atraves de exemplos como a nocao de custo x preco. Ate os anos 90 o preco era o custo multiplicado por 2 ou 3. Hoje o preco e definido pela qualidade percebida, valor de estima e confiabilidade da marca. Como a tecnologia é uma questao superada hoje (vide o exemplo da China que domina a tecnologia e produz a custos baixos), projetar hoje e projetar o subjetivo.
Outra ilustracao interessante foi a mentalidade do empresariado brasileiro e estrangeiro. Na Italia um produto que nao vem assinado pelo designer e visto como copiado ou sem conceito. No Brasil o designer que deseja assinar o produto e visto como oportunista, que quer fazer marketing as custas da empresa.
Dijon propoe 6 etapas para desenvolvimento de um MP, sendo que alguns autores sugerem 4 etapas; como nesta metodologia de projeto – ao contrario da tradiconal – etapas podem ser suprimidas ou acrescentadas conforme a necessidade, a quantidade nao afeta o resultado final. Como em algumas metodologias da Ciencia da computacao, o MP propoe um ciclo de desenvolvimento em que etapas futuras podem remeter a etapas passadas, num esquema circular e transversal, semelhante a figura de um fractal que se curva para dentro de si mesmo. Dijon aplica essa dsiciplina de metaprojeto na engenharia de materiais, onde ja realizou mais de 30 workshops, nos ultimos 4 anos.
Dijon encerrou a palestra com uma frase genial, de que “o projeto nao termina com o designer ou com a empresa, continua com o consumidor”.
Um exemplo e o paradigma da “forma segue a funcao” ou “a forma segue o uso”, que hoje, atualizado, seriam “a emocao + o uso definem a forma”, ou “a forma segue a emocao e o bom-senso”.
Enfim, foi uma palestra muito boa, outras se seguirao na area de jogos eletronicos (games), p.ex. Esses ciclos de palestras sao bons para qualificar o programa de posgraduacao, atualizar os mestrandos e graduandos e aumentar o capital intelectual da instituicao, uma vez que a posgraduacao em design na ESDI e recente, em comparacao a outras instituicoes.
A seguir, slides da palestra, expectadores e o palestrante:
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